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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A red, red rose - um pouquinho da cultura Escocesa.

Oi, lindos!

Hoje eu estava procrastinando navegando no "feice" quando uma amiga minha postou uma foto de uma rosa vermelha. Sim, uma simples "red rose". A questão é que desde que eu me tornei familiarizada com o poema "A red, red rose" do Robert Burns, um bardo escocês, rosas vermelhas me remetem à Escócia!

Yay Scotland!


Percebam que eu dei a louca nos comentários.
Claro que eu não sou a maior mestre do mundo em cultura, ainda mais Escocesa, mas resolvi compartilhar com vocês esse poema lindíssimo, escrito em inglês antigo, e bem tradicional da Escócia... tão tradicional que seus versos são estampados em vários cartões postais (eu inclusive tenho um!). Quando eu fui à Edimburgo, em Janeiro desse ano, eu visitei o Writers Museum (gratuito, olha a dica), e uma das salas dele é todo dedicada a Robert Burns! O cara é realmente famoso, e, veja bem, eu nem o conhecia!



Meu postcard em uma foto muito, muito mal tirada.
O poema na íntegra é: 

O my Luve's like a red, red rose, 
That's newly sprung in June: 
O my Luve's like the melodie, 
That's sweetly play'd in tune. 

As fair art thou, my bonie lass, 
So deep in luve am I; 
And I will luve thee still, my dear, 
Till a' the seas gang dry. 

Till a' the seas gang dry, my dear, 
And the rocks melt wi' the sun; 
And I will luve thee still, my dear, 
While the sands o' life shall run. 

And fare-thee-weel, my only Luve! 
And fare-thee-weel, a while! 
And I will come again, my Luve, 
Tho' 'twere ten thousand mile!

Percebam as palavras "zoadas"! À primeira impressão, você lê e pensa: minha nossa, como eu sou iliterada na língua linglesa! Acreditem, eu me senti assim. Mas logo logo você pega as manhas do ingês antigo e consegue "traduzir" a mensagem. Eu não sei tudo dessa variante antiquíssima, mas as palavras-macete que eu sei são: thou (you), thee (you, mas no final da frase/depois do verbo), art (are). E vendo o poema, eu posso presumir outras: luve (love), gang (gone), fare-thee-weel (o que seria farewell to you), etc. Vê? Inglês é isso! Um pouquinho de conhecimento, um pouquinho de decoreba e muita intuição! 

Vocês conseguem entender o poema agora? Depois dessa ajudinha? Em tradução livre, eu entendo o seguinte:

"Meu amor é como uma rosa vermelha, recém brotada em Junho. Meu amor é como a melodia docemente tocada com afinação. Por ser tão linda, minha "bonnie lass" (bonnie lass, de acordo com uma pesquisa rápida no Google, é um poema escocês famoso que conta um romance entre uma guria e um soldado, e também uma forma carinhosa de se referir a uma mulher), eu estou profundamente apaixonado, e eu vou continuar a te amar, minha querida, até todos os mares secarem. Até todos os mares secarem, querida, e as pedras derreterem com o sol... e eu ainda vou te amar, querida, enquanto os "grãos de areia da vida" continuarem a correr (acho que ele quis dizer até ele morrer, né?). E até mais, meu único amor... e até mais, por enquanto. E eu voltarei, meu amor, mesmo se fosse dez mil milhas"

Ela musicada fica assim: 


Mas a versão que eu gostei mesmo foi a dessa linda escocesa com um mais lindo ainda sotaque escocês (que aliás, vai ser interessante pra vocês escutarem o sotaque de lá): 


Aliás, Robert Burns também é o autor da famosa Auld Sang Lyne, a clássica música de final de ano, a que eu já me referi neste post aqui, sobre o Ano Novo em terras britânicas.

Enfim, curtiram esse cadico de cultura britânica?
Eu sei que eu curti pesquisar tudo pra contar pra vocês!

Euzinha congelando em Edimburgo.
Enjoy! 

segunda-feira, 24 de março de 2014

UK: uma experiência gastronômica (parte 1).

Nota da autora: eu comecei a escrever esse post milhões de anos atrás, então me perdoem a desatualização das fotos e etc. My bad, amiguinhos. 
Espero que você curtam essa experiência gastronômico-literária assim mesmo.
Enjoy!

Olá, vocês de novo! 

Estou *literalmente* no meu caminho rumo a Birmingham (e depois Redditch, e depois Alcester, e depois... enfim), para reencontrar o namorado, depois de quase um mês. E quando eu digo literalmente, eu quero dizer: estou NO trem. Duvidam? A fotinha aqui: 

Passando vergonha.
E para passar o tempo enquanto eu estou aqui no trem (e enquanto a bateria é suficiente), eu resolvi escrever um post especial. Um post sobre comida, minha coisa preferida no mundo inteiro (yummmm!). 
Esses quase três meses (OBS: agora já são quase 7!) de Inglaterra, mais do que uma experiência cultural intensa, têm sido uma experiência gastronômica interessante. E é até meio engraçado, porque vamos combinar: se você em qualquer dia resolver ter aquela noite especial e jantar fora, você já procurou por um restaurante de comida inglesa? Hm... nah. Nunca ouvi falar, e possivelmente você também não. Fato é que a Inglaterra não é exatamente conhecida por suas comidas típicas... até porque nem tem uma comida típica. Mas pera, será que não mesmo? 

Aqui nesse post eu vou listar todas as comidas novas que eu provei depois que cheguei no UK (pelo menos todas as que eu me lembrar), explicando na medida do possível. Partiu? Que fominha...

1) Fish and chips;
Eu sensualizando com a batatinha.
Ahhh, o famoso Fish and Chips! Tinha que ser o primeiro da lista, né? Claro!
Sem querer arrasar o coração dos turistas de plantão, fish and chips não passa de... fish and chips! Sério gente, é peixe frito e batatinha, nada de especial. E eles ainda comem com vinagre na batata. Eca, eca, eca.
Eu particularmente achei muito gorduroso e meio que boring. Talvez vocês curtam mais.

2) Chilli con carne;


Catei essa imagem do Google.
Apesar de não ser um prato inglês, Chilli con Carne é extremamente comum aqui (como toda comida apimentada, pra variar). O prato consta de nada mais nada menos que carne (duhh), chilli (duhhh), tomate, às vezes feijão e geralmente é comido com arroz. 
A primeira vez que eu comi, simplesmente não sabia o que eu estava comendo. Foi na primeira vez que eu visitei a casa do meu namorado. A avó dele cozinhou algo que parecia arroz, feijão e carne e eu super comi lambendo os beiços. Depois, na minha viagem para Malham, em um dos dias tinha a opção de ter Chilli para jantar, e eu pensei "nem pensar, não como pimenta!". E aí, nessa segunda vez que eu visitei a casa do namorado, os avós novamente cozinharam o prato, mas dessa vez o nome veio à mesa, e eu fiquei tipos "ahmmmmmmm". 
Enfim, é gostoso. Selo Rayra gordinha de aprovação. 

3) Roast chicken;


Tá aí uma coisa que é pura e singela tradição britânica: Sunday roast, roast dinner, roast chicken ou qualquer expressão que o valha. E o que é isso?
Você sabe aquela tradição brazuca de juntar todo mundo na casa da avó no domingo e comer aquele pratão de macarronada com ovo cozido, em uma mesa grande o bastante pra acomodar todos os seus quinze primos e tios? Não sabe? Só lamento.
Mas meu ponto é: "Sunday roast" é a versão britânica do churrasquinho de sábado. É clássica aos domingos, e consiste em vegetais (couve de bruxelas, cenoura, ervilha), roast potato, Yorkshire pudding, carne assada (que quando eu provei foi frango, por isso poderia ser chamado de roast chicken) e tudo com gravy (que é molho de carne).
Bom, na primeira vez que eu fui visitar a família do namorado (sim, já deu pra perceber que eles têm uma presença significante nas minhas experiências gastronômicas), rolou um Sunday roast maroto, que eu muito felizmente provei e aprovei. 
Mas fica aqui a observação que, levando em conta que eu provei o Yorkshire pudding em outra ocasião, durante um pub crawl que eu fiz com o namorado e os amigos nessa última visita a Alcester, posso afirmar que a coisa que eu comi no Roast dinner não foi o tal do pudding não. Foi outra coisa, igualmente gostosa entretanto (eles chamam de stuffing).
Em suma: Sunday Roast? Me gusta.

4) Jacked potato with baked beans and cheese;

Ques fome, mainha.
Jacked potato, pra início de conversa, nada mais é que uma grande batata assada, recheada com o que você quiser, basicamente. Esse tópico em especial é sobre o recheio de baked beans e queijo. Sim, meus caros, feijão e queijo, aquela combinação que você jamais na vida considerou fazer.
Esses "baked beans" são os mesmos feijões do café-da-manhã inglês, com molho de tomate (sim, docinho), e que eu já experimentei como molho de spaghetti e confesso que não ficou tão ruim. 
Essa batata assada com esses feijões e queijo derretido fica simplesmente DIVINA. Poderia comer um fardo disso aí. A primeira vez que eu comi foi na minha viagem à Malham (no lugar do Chilli con Carne) e já repeti a dose several times
Recomendo.

5) Mince pie; 



From Google.
Ahh, mince pie! Tenho uma história tragicômica pra contar com esse prato. 
Estava eu voltando da universidade, a pé, curtindo a vida, quando decidi passar no mercado pra comprar gordice (obviamente). Entrei no Spar linda, e vi essas coisinhas que pareciam uma torta, uma empada, uma coisa salgada e gostosa. Olhei a etiqueta e li: "Mince Pie". Opa, beleza, né? Carne moída em inglês é mince beef, então na minha humilde concepção de estudante estrangeira, só podia imaginar o que? É uma tortinha empada-like de carne moída! Delícia! Tô levando!
Cheguei na minha humilde residência seca em uma mordida daquela delícia com cara de empada (estava Brazil sick nesse dia) e quando eu enfiei meus dentes na massa fofinha: doce. DOCE. Como assim, Brasil! 
Muito deprimida entrei no Google e digitei "mince pie" para descobrir que: 
"A mince pie, also known as minced pie, is a small British fruit-based mincemeat sweet pie traditionally served during the Christmas season."
Em suma: tomar. no. c#zinho. 
Frustradíssima com uma torta de fruta, nada pude fazer se não ficar traumatizada e nunca mais comer nada que tenha mince no nome (mentira, continuo comendo carne moída de boas).  

6) Apple crumble;


From Google.
Apple crumble, essa coisa disforme que se apresenta na figura é nada mais nada menos que maçãs picadinhas em meio a um creme gostoso, cobertos por uma coisa crocante, que parece biscoito esfarelado. Pode ser servido com ou sem sorvete.
Eu experimentei essa gulodice em Greenwich, quando visitei Londres pela primeira vez, em um restaurante típico de tortas, e só o fiz porque o namorado já havia me dito que era delícia, que eu deveria provar e etc.
É gostoso, de fato, mas já provei doces melhores. Acho que eu não sou muito fã de maçãs como ingrediente principal de sobremesa... quebra o clima, vocês não acham?
Enfim, gostoso, mas não maravilhoso. Vale a pena experimentar!

7) Full English breakfast;


Quando eu comi pela primeira vez, em um café em Deansgate, Manchester.
Quando o namorado foi um fofo e preparou a gordice pra mim (e pra ele, claro).
Full English Breakfast, me arrisco a dizer, é mais "delícia nacional" que o próprio Fish n' Chips. É simplesmente imperdoável alguém vir para a Inglaterra e não experimentar esse prato.
O que é? Bom, é uma bomba calórica. É um café da manhã sabor aterosclerose e possivelmente infarto agudo do miocárdio. É linguiça, bacon, hash brown (batata cozida e frita), black pudding (choriço), baked beans (feijão ao molho de tomate), cogumelo, ovos, torrada com manteiga e tomate. Mermão, umas mil calorias no mínimo.
O que eu achei? Achei gordo. Na primeira vez não consegui comer tudo e achei muito estranho esse café da manhã tão... forte, por assim dizer. Mas depois de um tempo aqui eu me acostumei (claro que não como isso de café da manhã, né) e posso facilmente trocar meu almoço por um semi-full english. E já vi ingleses trocarem grandes refeições por essa receita também. 

E o fato de ser tão gorduroso e cheio de "sustança" é explicado pelos ingleses não almoçarem, em sua maioria. Eles cozinham só à noite, e a refeição diária deles é o jantar. Considerando que eles passam com snacks o dia todo, dá até pra entender né?

8) Slush;


 

Slush é tipo um daqueles sorvetes de gelinho, sabe? Mas que na verdade é mais como um suco semi-congelado. 
Eu experimentei quando fui a Stratford-upon-Avon com o boy, e apesar de ser inverno, fui com unhas e garras provar a coisa gorda e gelada com sabor de tutti-frutti. É gostoso? É. É melhor que sorvete? Não. Recomendo no inverno? Só se você for turista e gordinha tensa como moi. Vale a experiência: mas claro!

9) Hot dog; 



Ew, ew, ew, hot dog gringo! 
Estava eu em Liverpool, morrendo de fome, vi a barraquinha do cachorro quente e pensei: é agora que eu tiro a minha barriga da miséria. Silly me... o cachorro quente gringo não passa de um pão seco com uma salsicha pálida e nojenta e catchup por cima. Só comi porque a fome estava demais, porque eu não gostei nadinha... e olha que pra não agradar essa gordinha tensa que vos fala, o negócio tem que ser disgusting mesmo!

10) Teas: Full English Breakfast, Earl Grey, Lady Grey;



Claro que não tem como finalizar o primeiro post sobre delícias gastronômicas sem mencionar o famoso, o icônico, o incomparável.... chá inglês. Sim, minha gente, o chá aqui é tão popular quanto o nosso cafezinho no Brasil, e existem até uns sabores especiais ingleses.
Eu demorei um pouco a começar a tomar os chás (nunca fui muito chegada nessa coisa que parece sopa, mas sem gosto), mas depois que eu comecei, não parei. Comprei caixas e caixas, comprei um kettle para deixar na minha mesa de estudo e uma coleção de caneca, que é pra não precisar nem levantar a bunda da cadeira pra preparar o meu chazinho. 
Destaque para a marca Twinings. Primeiramente (e aí vem aquela hora de passar vergonha), quem leu Fifty shades of Grey sabe que o chá preferido da nossa querida mocinha Anastasia é o Twinings Full English Breakfast (que é nada mais nada menos que um chá preto normalzinho). O meu favorito, entretanto, é o Earl Grey, que é descrito como "a pale golden tea with the delicate flavour of bergamot". Mas na verdade todos os que eu já experimentei são delicinha: além dos dois já mencionados, Lady Grey, Assam, Ceylon e Apple and Pear Green Tea. 
E trívia: o chá Twinings tem o selo Real, isso é, a Rainha é consumidora :) 



E por enquanto é isso, amiguinhos, se não eu vou acabar demorando outros 4 meses para terminar de escrever tudo. Fiquem sabendo que já tem outro post no rascunho, com a outra metade das gostosuras que eu provei nessa terra maravilhosa regida por Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II. 

Deixem aqui vosso comentário, que eu deixo aqui todo o meu apreço.
Beijocas CSFistas, 
xxxxx.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Estreiando a tag #livros: The Messenger - Markus Zusak.

Expandindo os meus horizontes nesse blog, decidir fazer resenhas de todos os livros não-acadêmicos que eu tenho lido nesse ano de intercâmbio. Eu sempre gostei muito de ler, e o Ciência Sem Fronteiras tem sido um ótimo tempo para ler todos os tipos de livro sem aquele pesinho na consciência de "ai, mas eu tinha que estar estudando" (pelo menos não por enquanto). 

Como eu já havia escrito no post do Natal, eu ganhei de presente um e-book reader da minha mãe, e como eu também já expliquei nesse mesmo post, eu optei por comprar um Kobo em vez de um Kindle. Entre os motivos, eu cito: o design muito mais bonito e com mais opções de cores; o preço, que é quase a metade do famoso Kindle; e o que mais me chamou a atenção, o fato de que o Kobo lê até pdf sem precisar converter. 
Não se enganem, eu ainda sou old school e prezo com todo meu amor livros físicos (quanto mais velho, mais cheiroso). Sou apaixonada por bibliotecas e livrarias, e tenho a minha humilde coleção na minha casa. Mas além de livros serem caros na Inglaterra, eu não pretendo ocupar muito da minha mala com peso de papel, e a praticidade de um e-book reader é absurda. 
Pra quem se interessa, eu comprei meu Kobo na WHSmith e, na época, paguei 30 libras pela promoção de natal. Eu comprei na loja física, mas nesse site aqui vende também. O meu modelo é o Kobo Touch, na cor lilás porque eu sou mulherzinha hahaha.
Desde dezembro, quando eu comprei o bichinho, até agora, eu li 9 livros completos e estou começando o décimo. Sim, é prático assim! Basicamente, qualquer livro que eu me interesse, eu só jogo no google "nome do livro + epub" e baixo a versão que estiver disponível. Só amor. 
E como eu estou nessa onda literária, eu resolvi otimizar a minha experiência fazendo reviews dos livros que eu leio. Eu sei que isso foge completamente ao propósito inicial do blog, mas nem só de viagens vive uma blogueira, né, minha gente! E meus livros fazem parte do meu intercâmbio também. 

Então vamos lá! 
Minha primeira resenha é do último livro que eu li: The Messenger (em português, "Eu Sou o Mensageiro"), do Markus Zusak. Tenho tentado ler apenas livros em inglês enquanto eu estou na Inglaterra, e é por isso que a maioria dos livros que eu vou citar aqui serão com títulos em inglês, tá?


Markus Zusak, pra quem não sabe, é o mesmo autor do best seller "A menina que roubava livros", ou "The book thief" em inglês. Apesar de não ser novo (eu, por exemplo, li esse livro em 2007, na época da prova de vestibular da UFMG), "The book thief" voltou pra moda depois do filme baseado na história ser lançado esse ano. Pra quem não leu o livro/não viu o filme, eu recomendo com todas as minhas fibras, e já falo logo: lencinhos de papel, minha gente, porque o chororô vai ser interminável.

Mas vamos ao que interessa. Desde que eu li "A menina que roubava livros" eu queria ler "Eu sou o mensageiro", mas como comprar livros é sempre um caso muito bem pensado pra quem vive no orçamento, eu deixava pra lá. Graças ao CSF e ao meu Kobo, eu consegui concretizar essa meta!

O livro conta a história de Ed Kennedy, um jovem australiano de 19 anos, taxista, e sem muitas ambições na vida. Na verdade, ele é um típico average joe, até que ele e três outros amigos viram reféns em um assalto a um banco e, em uma atitude altamente impulsiva, Ed consegue impedir a fuga do assaltante.
"I'm a typical of many of the young men you see in this suburban outpost of the city - not a whole lot of prospects or possibility (...) That aside, I read more books that I should."
A partir desse episódio, nosso herói começa a receber cartas de baralho (áses, pra ser mais específica) pelo correio, e em cada carta ele descobre algumas missões a cumprir. 
Todas as missões rendem suas histórias, que são curtas e tocantes, motivo pelo qual o livro não cai no submundo do tédio. E outra coisa legal é que em vez de capítulos convencionais, o livro é dividido de acordo com as cartas de baralho: ás, 2, 3, 4... valete, dama e rei para cada naipe e, ao final, o derradeiro coringa. 
Se na segunda metade do livro você começa a achar o livro previsível e quase entediante, o final é genial e fazem todos as horas investidas nessa leitura valerem a pena! Mas eu não vou contar o final aqui, que é pra vocês não ficaram reclamando de spoiler hahaha. 

Enfim, The Messenger tem o selo Rayra de aprovações (se é que isso vale alguma coisa... bitch, please...). E pra quem gosta de um sneak peak em forma de citações:
"Sometimes people are beautiful. Not in looks. Not in what they say. Just in what they are."
"I'd rather chase the sun than wait for it."
"Maybe everyone can live beyond they're capable of." 
E vocês, curtem uma leitura? 
Deixem aqui nos comentários suas opiniões sobre essa nova tag, recomendações de livros, declamem vosso amor pela leitura, etc! Interajamos, povo!

Até! xxx

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

New year's eve.


Oláááá galere!
Depois dessa linda introdução da linda Zooey e do lindo Joseph cantando uma linda canção, voltei pra contar minha não-tão-linda experiência de New Year's Eve na Inglaterra (já começou empolgante, né? Só que não.)

Bom, como eu já cansei de escrever aqui e vocês provavelmente já cansaram de ler, eu passei todas as minhas férias de Natal na casa do meu namorado, em Alcester, por mais que a maioria das pessoas achem loucura. Mas não se preocupem, que meu mês de janeiro vai ser pura viagem. Já cansei só de tanto planejar, planejar e planejar.

Enfim, foco.
New Year's Eve parecia longe demais pra planejamento. E eu e o namorado estávamos pobres demais pra qualquer coisa elaborada (ele mais que eu, mas meu dinheiro está sendo devidamente economizado para futuras viagens). A ideia inicial era Escócia. Depois Londres. Depois País de Gales. Depois o dinheiro acabou e nós ficamos com as injustas opções de: ficar em casa com os avós, ficar em casa com o padrasto ou beber no pub local com orçamento limitado. Oh well, noves fora zero, partimos para o pub. Porque ficar em casa sem Show da Virada não dá, né, gente, como eu iria sobreviver (sqn!).

Gente, preciso dar detalhes sobre toda essa vida de pubs locais. Pubs locais são mara! As pessoas se conhecem, se divertem, ficam bêbadas juntas, compartilham cigarros e passam frio juntinhos na área de fumantes. Os ingleses bêbados são uma maravilha, calorosos, engraçados e nem se importam se você não consegue captar metade das ébrias frases pronunciadas contando que você dê aquele sorrisinho e um "nodding" (existe alguma palavra em português para esse movimento de afirmação feito com a cabeça? Eu não tô sendo esnobe no inglês não, gente, eu só não consigo pensar numa palavra melhor, tá?). Enfim, pubs locais = amor. Nesse caso em específico foi ainda mais engraçado, porque é o pub local do condado do namorado. Ou seja, todo mundo o conhece e, por conseguinte, eu sou apresentada para metade das pessoas. Engraçadíssimo. Especialmente quando você tem que explicar several times que você não é americana, é apenas uma brasileira que aprendeu inglês americano antes de vir para a Inglaterra (e juro, meu Brazilian accent é bem fortinho...).
Mas gente? Por que que eu estou sendo tão prolixa hoje, pelamor! Me perdoem, mas deve ser porque não tem muito mais o que contar... nem fotos eu tirei!

O que aconteceu no meu 31 de dezembro caberia em um parágrago: cheguei na casa do padrasto do meu namorado, onde a gente ficou conversando um tempinho. De lá, fomos pra casa do amigo do boy, para que os dois juntos pudessem consertar meu ex-falecido celular.Mas aqui cabem parênteses, gente, porque o que aconteceu com meu pobre samsung galaxy s3 foi trágico e cômico, e merece uma dissertação.

Acontece que eu passei todas as férias de Natal me gabando do meu intacto celular com o boy e o irmão, que têm o mesmo aparelho, mas em condições precárias, vidro quebrado e LCD ferrado, etc. Mas aí na volta do pub onde nós todos passamos o Xmas Day, eu, saindo do carro em direção à casa, deixei o celular cair no chão com a tela virada pra baixo. Claro que a tela trincou, e eu, desesperada e consciente de que o boy poderia consertar isso facilmente se eu comprasse a tela no ebay, fiz o pedido online. Quando a tela chegou e o menino foi trabalhar no replacement, adivinhem? Tentando trocar a tela de vidro, ele rasgou minha tela LCD. Ê, lerê!!! Depois de uns quinze minutos em choque, chorando pelo recente falecimento do meu bebê, decidi dar mais uma chance às - aparentemente não tão maravilhosas - habilidades de conserto do namorado, e comprei - gastando muito mais que o pretendido - um novo LCD para ele trocar. Era isso que ele estava fazendo na casa do amigo dele, no último dia do ano, algumas horas antes da virada. Ele conseguiu e meu celular está funcional de novo (apesar de, bêbada no pub horas depois, eu deixei o celular cair novamente e a tela trincou de novo, risos. Claro que eu não vou nem tentar consertar dessa vez.)

Enfim, da casa do amigo, fomos pra casa do padrasto começar a beber. E da casa do padrasto para o pub, beber. E no pub - que estava em noite de karaokê - eu bebi, dancei com inglesas gipsies (que vivem viajando por aí e pousando de flor em flor pub em pub) vestidas com roupas digamos que... peculiares, ouvi o namorado cantar Blink 182 no palco (e ri), bebi, bebi e bebi. 
Gente, eu não sou fraca pra bebida, juro... contanto que eu não misture. Mas considerando que eu estava pobre e queria passar a virada pelo menos alegre, misturei conscientemente. Tinha começado com Champagne na casa do padrasto, engatei com Guiness, malibu w/ coke, Amaretto e, por fim, um último shot de uma coisa rosa way too sweet pro meu gosto, que um conhecido do namorado fez questão de comprar para todos nós. Uma última rodada por conta dos outros, por mais que eu esteja bêbada e já com um pé na direção do PT, não há como negar. Dá-lhe shots! O resultado não poderia ser outro...

Quando deu meia noite fomos todos pro palco, cruzamos os braços, demos as mãos uns aos outros e.... Auld Lang Syne (assistam o vídeo a seguir se vocês não sabem do que eu tô falando).


Notam a empolgação das pessoas cantando essa músiquinha tradicional da Irlanda? Pois então, esse é o feeling. Nada de pular sete ondinhas ou fazer oferenda pra Iemanjá, a parada aqui é dar as mãos e cantar uma música mais velha que nossos avós com cara de enterro. Weee, revéillon! 

Depois de toda essa emoção, só queria comer alguma coisa bem gorda (que é pra honrar minha primeira resolução de todos os anos - emagrecer) e ir pra casa. Todos os takeaways estavam fechados (damn!), então só nos restou ir pra casa, dormir e... opa, banheiro. Dormir... e banheiro!!! Dormir e... guess what? Não parei com essa rotina até que todas as últimas gotas de álcool cor-de-rosa (e possivelmente algumas outras misturebas) saíssem do meu corpitcho. 
E no dia seguinte? Minha nossa... 
Happy new year, I guess. Hahaha!

Acontece que - como já escrevi em todas as redes sociais possíveis - depois dessa dancinha com as mãos, musiquinha deprê e PT no ano novo, quero retornar às origens. Quero pão com manteiga no café da manhã, arroz com feijão no almoço e pular sete ondinhas na virada. Chega de English experience, gente, meu fígado não suporta tanta distensão! 

ntão, para botar um ponto final no ano - maravilhoso - que passou e abrir as portas para 2014 (que será tão maravilhoso quanto, amém), eis aqui a minha lista de resoluções, para vocês: 

E sobre mim vocês podem ter certeza de uma coisa: resoluções de ano novo são resoluções cumpridas. 
Agora, só para dar um adeuzinho mais elaborado pra vocês, deixo aqui um textículo velhinho, velhinho... escrito dois anos atrás e que está perdido entremeio à poeira do meu outro blog. Um poeminha de ano novo:

- superação;


De todos os votos que pairam em nebulosa na aura do ano que vai chegar, esse é o meu desejo.
Quero intensidade
Vontade
Quero mais.
Superação ao recuperar e superação ao acrescentar. 
Superar as dúvidas, mágoas, ódio e o rancor.
Superar o amor. 
E o desamor.
Superar em número de amizades.
Gargalhadas.
E que as lágrimas nossas de cada dia caiam por não caber em tanta alegria. 
Superar as pessoas que ferem por indiferença.
As que ferem por frieza.
As que ferem.
E às que não ferem, minha gratidão.  
Quero mais riqueza.
Alma, corpo, espírito.
Matéria.
E de todos os desejos, de todos que desejam.
Realização. 

Revéillon 2008 - 2009
Revéillon 2010 - 2011 <3

Happy New Year everyone!
And may 2014 be so kind to be as - or even more - blessed as the last year for us all!

xxxx

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Xmas eve, xmas day and boxing day!

Hello everybody! So long no talk!!!

Pois é, peço minhas desculpas, mas mal tenho usado o laptop nessas férias. Férias? Sim, férias. E por que eu não estou viajando pelo mundo e conhecendo outros países? Porque eu decidi passar essas 3 semanas de Christmas break com o meu namorado, apenas.
Cheguei aqui em Alcester dia 16 de dezembro, ou seja, duas semanas atrás, e estou aqui desde então. Não tenho muito de animador pra contar pra vocês (desculpem se meu intercâmbio não tem sido um belo modelo de turismo sem fronteiras hahaha), então eu simplesmente não tenho por que escrever muito :)
Claro que eu ainda tenho uns posts pendurados no esqueleto pra vocês: sobre as maravilhas gastronômicas que eu provei, sobre o planejamento das minhas viagens, sobre a faculdade e tudo mais. Prometo que todos eles sairão!

Hoje eu vim aqui escrever rapidinho sobre as tradições britânicas nas comemorações do Natal!
Como vocês já sabem, passei o Natal com a família do amorzinho. De britânicos eles não são pouco, meus caros, eles são extremamente, absurdamente, espantosamente... ingleses. Então foi sim uma experiência um tanto quanto inovadora, passar essa data festiva aqui, no mundinho deles. Vocês querem saber todos os detalhes? Vamos lá!

Boy juding me.
Rudolph!!! 
Antes de mais nada, eu preciso deixar claro que, vinda de uma família extremamente unida, feliz e católica, eu notei sim muitas diferenças. A começar pela troca de presentes, que aqui é uma coisa importante nas comemorações... quase como uma obrigação social. Obviamente ninguém vai virar na sua cara e gritar "HEY, CADÊ MEU PRESENTE, YA CHEEKY BASTARD!", mas essa reclamação estará sim implícita. E, olha, alguns até falam isso na cara, sem sacanagem. 
Então, rios de pounds gastos em presentes para toda a sua família e amigos mais chegados (que podem ser qualquer coisa, na realidade, de gel para banho a garrafas de bebida alcoólica, contando que sejam presentes). Confesso que essa foi uma surpresa pra mim. Na minha família ninguém dá muita importância pros presentes (exceto pelas crianças, óbvio), então comprar presentes nunca teve um tom tão "obrigatório" pra mim quanto dessa vez. Não gostei. Mesmo. 
No final das contas, além do presente do meu namorado, eu comprei presente pros avós, padrasto, irmãos e até a ex-mulher do ex-padrasto (que não é a mãe dele), mas que por ser tão simpática e me acolher tão bem, me senti na obrigação.
E, claro, ganhei presentes (muitos!), o que me fez me sentir ainda mais sem graça (não sou muito boa em aceitar coisas dos outros).
Da minha mãe, eu ganhei um e-book reader (escolhi o Kobo ao Kindle, e não me arrependi), que eu mesma escolhi e comprei. Basicamente, eu, apesar de ser apaixonada por livros físicos, não posso sair comprando um milhão de paperbacks na Inglaterra, sabendo que eles são caros e que eu tenho um limite de bagagem na hora de voltar pra casa. Comprei o reader e foi a melhor coisa que eu adquiri nesse intercâmbio (depois da minha câmera, óbvio).
Do namorado, ganhei um cordão com um pingente lindo de cristal Swarovski, os avós me deram um onesie (clique aqui se você não tem ideia do que é um onesie. O meu é exatamente o mesmo desse aqui.) em animal print, um lenço em animal print, dois braceletes azuis lindos e..... um violão. Um violão! 

<3 Swarovski <3
Awn :3
Kobo! Melhor investimento ever :) 
Violão que os avós do boy me deram! Demais!
Pois é, acontece que em uma noite que o boy foi pra night e eu resolvi ficar com os avós, conversando com eles, falei que iria comprar um violão de presente de Natal da minha mãe, porque eu estou com muito tempo livre e quero aprender a tocar. Foi tudo o que bastou pra eu ganhar um deles. Honestamente, não sabia nem onde enfiar a cara (sou dessas).
Também ganhei uma garrafa de vinho de um dos irmãos e uma garrafa de champagne da ex-mulher do ex-padrasto. 


As diferenças entre Christmas eve, day e Boxing day: esses são, respectivamente, a noite do dia 24, o dia 25 e o dia 26 de dezembro. Diferentemente dos brasileiros, em geral, que comemoram o dia 24 e 25, os britânicos comemoram mais o 25 e 26. Então no dia 24 eu fiz.... nada. Na verdade, apenas entrei no Skype pra comemorar com a minha família, e foi isso. 




Ah! E aparentemente, à meia noite do dia 24 pro 25, o filho mais velho da família pode abrir um presente. Ai, ai, ai, tradições britânicas... 

No dia 25 é dia de abrir os presentes pela manhã, e comer o dia inteiro. Peru de Natal, repolho roxo com molho de cranberries, o famoso mulled wine (vinho quente com especiarias), mince pies, queijo com biscoito, e coisas esquisitas que brasileiros jamais comeriam. 

Porém, nós (eu, boy, avós, padrasto, irmão mais novo e cachorrinha) fomos almoçar em um pub. Sim, um pub.


Eu, boy, os avós, Sophie (a Chihuahua), o irmão e o padrasto, todos com a coroinha que vem no cracker.
Foi uma three course meal: eu tive uma sopa com pão e manteiga como starter, muito boa por sinal, peru de com vegetais como main, e cheesecake para sobremesa. Mulled wine, white whine, red whine, café, mince pies, etc etc etc. No final da tarde, não conseguia nem levantar da cadeira de tão gorda.
No mesmo dia mais tarde, eu e o boy fomos pra casa do padrasto, onde os irmãos foram jogar xbox, eu fui ler, e no final estávamos todos bebendo litros de vinho, ficando bêbados e comendo pizza. Geração saúde!
Dormimos lá, e no dia 26, boxing day, a família se reuniu para comer as comidas típicas do dia: pão de sal com peru e presunto, pork pie, queijo e biscoito, mais vinho, mais vinho, mais vinho. No final da noite, depois de mais xbox e mais livro, nos juntamos todos (eu, padrasto, boy e 2 irmãos) para jogar Trivial Pursuit. É claro que a única mulher da mesa, a única estrangeira da mesa, ganhou o jogo sobre conhecimentos gerais... em inglês. Hell yea, raça superior! E depois, baralho!
Dormimos lá (again), e no dia seguinte nós saímos para almoçar em um... pub. All you can eat de legumes, fartura de carne e molhos, etc. Depois, os meninos foram jogar sinuca e eu... celular. Mas antes disso o namorado conseguiu um bichinho de pelúcia naquelas máquinas, sabe? Então eu estava feliz e contente. Sem reclamações! Quando chegamos em casa, adivinhem? Xbox, livro, pub! Beber, beber, beber, dormir... e ir pra casa, finalmente!

O famoso cracker: esse tubo de papel é tradicional no Natal inglês. Esse tem o formato de um bombom, e pra abrir deve ser puxado por duas pessoas. Ele vai fazer um som de estalo e uma das abinhas do bombom vai sair, deixando um buraco para o interior do cracker. Dentro dele, geralmente, tem uns brinquedinhos de plástico toscos, um papelzinho com uma piada e uma coroinha de papel, que é usada na hora do rango.
Esqueci de tirar foto da minha sopa. Esse é o main dish: turkey and vegetables!
Red cabbage with cranberry sauce.
Raspberry cheesecake and cream.
Mince pies! Tortinhas com recheio de fruta.
E foi isso! 
Pedindo novamente desculpas pelo abandono, espero que vocês curtam o post!
Como sempre, muchas gracias pelo prestígio! 
Beijocas e até!
xxxx

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Falemos sobre Ahmad.

Ahmad é sudanês, foi professor por 8 anos, mora na Inglaterra há 24 e sabe mais de geografia que eu jamais saberei na vida. Mas até eu conversar com Ahmad, ele não passava de mais um "indiano" que trabalha em mais um "takeaway". 
Ahmad era mais um anônimo, e agora Ahmad é Ahmad.

Voltei de viagem hoje, com aquela larica das viagens intermináveis de trem e, claro, fui parar no podrão mais barato e gostoso aqui de Salford: o Paquistão, como os brasileiros chamam. No Paquistão nós compramos uma "meal for one" por três e cinquenta. Essa meal for one, no meu primeiro mês, era sinônimo de meal for um batalhão. Mas meu estômago altamente eficiente se acostumou rápido com o padrão britânico de gordice, e acomoda fácil fácil a pizza média, porção de batata frita com catchup e latinha de refrigerante do Paquistão. Meal for one, definitivamente... tudo meu, tudo meu!

Hoje, como eu dizia, eu fui parar no Paquistão, sozinha, e decidi puxar um papo com o "indiano" que trabalha lá, que já me conhece de cara (pra vocês terem ideia do quão saudável tem sido meu padrão de refeição). 
Papo vai papo vem, descobri que o indiano não é indiano: o indiano veio do Sudão. "Você sabe onde é o Sudão?", ele me perguntou. Botando o meu rabinho de estudante de Medicina entre as pernas, aquele rabinho que nunca gostou de estudar geografia no pré-vestibular, eu disse "é no Oriente Médio?". O sudanês soltou um risinho, pegou uma caneta e um papel daquele de embrulhar comida e desenhou um mapa. Fiquei sabendo que o Sudão fica na África (e aquela vergonha botando uma corzinha nas bochechas...). Comentei que o conhecimento dele era invejável e ele me disse que havia sido professor por 8 anos, mas ficou entediado. Ficou entediado e veio parar na Inglaterra... 
Humana e falível como sou, vi meus preconceitos aflorarem como se fosse primavera. Quem imaginaria que o cara que trabalha em um podrão assando pizza barata era na verdade um professor? Eu não. "Há quantos anos você mora na Inglaterra?", eu perguntei. Vinte e quatro. "Mas puxa vida!", exclamei, "isso é mais do que a minha idade!". E mais um preconceito foi sufocado pelas surpresas boas da vida, o preconceito dos sotaques fortes.

O sudanês perguntou meu nome, eu disse "Rayra" e, imaginem só, ele falou Rayra! Soltei aquela risada e falei "eba, você consegue falar meu nome! Ingleses não conseguem!". E de onde eu sou, ele queria saber, e eu disse que do Brasil.
Ele me contou da vontade de conhecer a América do Sul, do quanto ele adoraria conhecer meu país e perguntou se eu tinha um patrocinador. "Sim", eu disse, "o governo pagou e continua pagando por tudo". Ele ficou maravilhado com a constatação de que o Brasil é mesmo uma economia crescente, o que eu, em minha estúpida e nada patriótica convicção brasileira, contestei. "O Brasil é sim uma economia crescente, mas a gente não sente isso tanto quanto deveríamos", argumentei. 
Mas o que dizer do meu patrocínio para estudar na Europa de graça por um ano? 
Fiquei quieta na minha, e botei meu rabinho de brasileira ingrata entre as pernas, mais uma vez.

É, preciso admitir: o Brasil é uma economia crescente, e esse crescimento está sim se refletindo na minha vida. Há alguns meses eu escrevi um post sobre o investimento do CSF, que ainda está ressoando por aí, me trazendo comentários positivos e negativos. Não tenho respondido aos comentários porque não vejo porque continuar discutindo em cima desse mérito. Mas veio aqui, nesse texto, deixar claro que sim, eu vejo investimento em educação sendo feito pelo programa e, não, não é só manobra política. Pensei que tinha deixado isso claro no outro texto, mas aparentemente não. Minha opinião sobre as faltas do esclarecimento do dinheiro continuam as mesmas, entretanto. Não acredito que elas vão mudar tão fácil, mas também não creio que elas interferirão na concepção de que, com ou sem todo o dinheiro relatado na transparência.gov, carta de benefícios ou banco de dados que os valham, eu estou vivendo uma experiência incrível.
Aproveito a deixa para ofereceras minhas desculpas aos que ficaram incrivelmente ofendidos com tal polêmico post, mas também quero relembrar que, sendo este um blog para relato de experiências pessoais, continuarei escrevendo tudo o que eu penso (mas estou sempre aberta aos comentários e aprendendo com eles, especialmente se eles forem escritos educadamente). Meus pensamentos estão em constante renovação. Mudanças são necessárias, contanto que elas nos encaminhem para a evolução.

A minha pizza ficou pronta em vinte minutos e eu já ia me encaminhando para a saída do podrão quando me virei e perguntei "qual o seu nome?"- "Ahmad", ele me respondeu. 
E eu disse: "Então a gente se vê em breve, Ahmad! Boa noite pra você!"

E foi assim que o indiano que trabalha no paquistão, que conversa com um sotaque fortíssimo e tem os cílios mais pretos que eu já vi na vida se tornou nada mais nada menos que ele mesmo: Ahmad. 


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Guy Fawkes Day: bonfire night!

Olá!

Ontem, 5 de Novembro, foi Guy Fawkes Day aqui no Reino Unido, e eu achei digno fazer um post explicando um pouco do porquê das comemorações desse dia.

Guy Fawkes, ou pelo menos a cara dele, acho que todo mundo conhece. Você não? Certeza?



Lembrou agora?
Então, mas quem foi esse sujeito e por que a morte dele é tão comemorada? 

Guy Fawkes, nascido e criado em York, era católico e fazia parte de um grupo de católicos que tinham como meta destituir a monarquia protestante da Inglaterra, assassinando o Rei James I, para em seu lugar reconstituir a antiga monarquia católica. (católico, católico, católico)
 E assim o Gunpowder Plot, o golpe contra o parlamento inglês, foi planejado.

 Quando eu fui a York, conheci o local onde Fawkes nasceu. Vocês lembram?

No dia 5 de novembro de 1605, bombas foram estrategicamente posicionadas para destruir a "House of Lords" ou Câmara dos Lordes, uma das seções do parlamento inglês, e Guy Fawkes foi o incumbido de vigiar a armadilha. Porém, tendo recebido uma carta anônima acerca do possível atentado ao rei, as autoridades britânicas começaram cedo no dia 5 uma intensa busca pelo Palácio de Westminster (onde o Parlamento é localizado) e encontraram nosso astro lá, de butuca nos explosivos. 
Fawkes foi preso, obviamente, e torturado incessantemente por meses, até que em Janeiro do outro ano, ele finalmente admitiu a culpa, sendo sua execução uma necessidade incontestável aos olhos das autoridades, então. No dia 31 do mesmo mês, ele morreu. 
A partir de então, Guy Fawkes e Gunpowder Plot se tornaram sinônimos, e o dia 5 de novembro, desde 1605 até a atualidade, é festejado com fogos de artifício e o acendimento de uma fogueira, onde um boneco representando Fawkes é queimado, como uma forma de comemorar a vitória da monarquia protestante, o sobrevivimento do Rei e a evidente falha do golpe que poria um fim a tudo isso. 

Background histórico disposto, vamos contar da minha experiência pessoal no dia 5 de novembro! 
Estando euzinha em um intercâmbio na terra da rainha protestante, não teria uma "full English experience" se não fosse a algum lugar participar da bonfire night, certo? 
Então fomos eu e uma galera aqui de Salford pro Heaton Park, em Manchester, assistir ao show de fogos, fogueira e, claro, comer nas barraquinhas, om nom nom nom.
O problema é foi que fazia um frio do capiroto, havia um lamaçal memorável, comida cara, uns fogos chinfrim e uma fogueira que de longe parecia até muito bonita, mas que não dava pra se aproximar por motivos de: não pretendo me atolar na lama mais uma vez nesse país. Mas vai... full English experience. Aproveitei o tanto que deu!

Fogueira e fogos!



Saindo de lá (cedo, que é pra não ser atropelado pela multidão que estava presente no recinto), fomos caminhando até o pub local (uns bons 20 minutos de caminhada), porque nada melhor para comemorar o epic fail do Gunpowder Plot que bebendo uma pint, certo? 

Eu, pinguça.
E pra achar táxi, gente, que loucura! Todas as companhias estavam "fully booked" pro nosso desespero. Achamos um táxi na cagada, quando já depois de desistirmos e decidirmos ir pra casa à pé (apenas 48 minutos de caminhada na chuva e no frio, segundo o Google Maps), encontramos uma van parada, com o telefone da companhia. Ligamos pra lá, e a mesma van que nos ofereceu o número nos levou pra casa! Ufa!

E foi isso, gente! Um show de cultura inútil nesse post!
Mas agora pelo menos vocês podem contar a história de Guy Fawkes, o símbolo da revolução, para o próximo coitado que estiver vestindo a máscara dele em algum protesto. Porque vamos combinar... pelo menos metade daquela gente não faz ideia do que está vestindo...

Beijos!!!